quinta-feira, 28 de março de 2013

BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ! - PARTE 3

E um mês inteiro passou sem posts! E logo no mês do meu aniversário. Muito triste isso :'(
Mas é a faculdade, trabalho, estágio, mudança, fiquei sem Internet, depois fiquei sem PC... foi um mês agitado. Mas enfim consegui terminar a matéria em que expresso meu desgosto com a série Pokémon Best Wishes!. E não, nem a volta do Charizard me empolgou! Então, espero que gostem e ainda este fim de semana prometo postar também o final da matéria de Pokémon - O Filme e domingo o Guia de Batalhas do personagem que vencer a enquete que está no ar.
Espero que curtam!
E se você não leu as duas primeiras partes, clique aqui para a Parte 1 e aqui para a Parte 2 (agora com imagens!)


Aviso: contém spoilers.

POKÉMON BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ!
Parte 3


POKÉMON – TINHAM QUE PEGAR ESSES MESMO?

Montar um time de Pokémon é sempre uma tarefa difícil em qualquer jogo Pokémon, especialmente quando se considera que toda geração oferece uma nova centena e o jogo ainda limita seu time a seis escolhas. A enorme variedade permite aos Treinadores criarem equipes variadas a seu próprio gosto. Quando se trata do anime, a tarefa não deve ser menos árdua. Há, porém, um padrão sempre observado nos times de Ash, por exemplo: iniciais serão inclusos, assim como representantes dos tipos Água, Fogo, Planta (que já incluem aí alguns ou todos os Iniciais de determinada geração), um Voador básico e mais uma criatura de um tipo mais diversificado. E o eterno Pikachu, claro. Embora a seleção não pareça ser lá muito difícil, deve-se definir como cada criatura vai funcionar, os ataques que terão, seu desenvolvimento na série, personalidade, como será sua interação com os demais personagens e etc.

A montagem final, porém, sempre gera insatisfação de alguma parte. Se Ash tem só um ou dois dos iniciais, há reclamação das pessoas sobre o inicial que ficou de fora, mas há reclamação quando ele fica com todos os três também, há reclamação sobre as aves e sua função reciclada há anos, há reclamação sobre os mesmos tipos de sempre, há reclamação sobre a falta de evolução ou personalidade de certos Pokémon ou sobre o tempo de cena que cada um recebe. Enfim, nunca ninguém está completamente satisfeito. Best Wishes! foi lá e ousou com uma solução que poderia ter sido a solução para esse problema: rotação no time!

A rotação tem muitas vantagens: mais Pokémon são pegos por Ash, logo existe uma variedade maior e mais chance de agradar a um número maior de telespectadores e jogadores, também existem mais Pokémon sendo promovidos simultaneamente podendo encorajar a venda de mais brinquedos como bichos de pelúcia e outros produtos da franquia. Além disso, como os iniciais são a cara comercial da série e, por isso, demoram muito mais para evoluir que os demais membros do time, os Pokémon extras pegos podem ir evoluindo e calar algumas das reclamações sobre as faltas destas também. O problema é que os roteiristas de Pokémon nunca foram muito bons em equilibrar o tempo de cena dos Pokémon quando Ash só pegava cinco novas criaturas por saga, o que dizer de dez? Junte isso ao fato de que temos Ash em sua pior forma em Best Wishes!

Em Best Wishes! Ash pegou nove novos Pokémon para compor seu time: Pidove, Oshawott, Tepig, Snivy, Scraggy, Sewaddle, Roggenrola, Palpitoad e Krokorok. Dos nove, é justo dizer que apenas os três inicias e Scraggy ganharam algum destaque, por isso os chamarei de “as estrelas do time”. Apesar do nome, vale dizer que eles pouco merecem a atenção que recebem, à exceção de Scraggy. Os três iniciais de Unova tiveram episódios de captura fraquíssimos e foram mal utilizados dentro da série. Oshawott tentou repetir o que haviam feito com Piplup em Diamond & Pearl como o tipo Água egocêntrico, mas ainda mais vaidoso. A receita funcionou. Oshawott é fofo e carismático e ainda ganhou episódios que ajudaram amadurecer o seu lado combatente – que era péssimo no começo –, o que contribuiu muito para sua formação dentro da série. Porém, nos últimos anos, os roteiristas parecem ter esquecido que ele existe, não agregando nada novo a ele e deixando-o acumular poeira. Tepig veio como uma reciclagem da estória de Charmander do inicial de Fogo abandonado, que também já havia sido reciclada em Diamond & Pearl com Chimchar. Mas se em Diamond & Pearl houve toda uma expansão dessa história de uma forma diferente e mais trabalhada, Tepig teve apenas dois episódios pouco ou nada marcantes. Além disso, a personalidade do coitado é fraca e cativa a poucos, mas ele tem recebido destaque decente principalmente depois que evoluiu para Pignite. Mas a maior decepção talvez seja Snivy.

Com um ar de superioridade que lembrava também muito outro inicial de Planta, Treecko de Advanced Generation, Snivy gozava de um respeito invejável – apesar do chatinho episódio de estreia. O fato de ser uma fêmea imponente e reconhecidamente a mais poderosa do time do Ash depois do Pikachu no começo da saga – tendo até sido sugerido que ela teria abandonado um Treinador – fez com que logo ela fosse chamada de “diva” por alguns. Mas veja só, parece que estabelecê-la como uma Pokémon poderosa fez com que os roteiristas se sentissem tão despreocupados com ela que ela raramente tem uma luta decente! Ela também não teve desenvolvimento dentro da série. Não evoluiu, não aprendeu nenhum ataque novo ou usou uma estratégia diferente fora do seu já manjado Atração em mais de 100 episódios (quase dois anos!). Assim, Snivy foi de diva para uma estagnada. Ela chegou a ter importância quando teve rixa com a Emolga da Iris ou ajudando Tepig a enfrentar seu antigo Treinador, mas fora isso não teve um desenvolvimento próprio até o presente momento. Assim, as estrelas de Best Wishes! embora sejam os Pokémon que mais aparecem, tiveram desenvolvimento pobríssimo dentro da série – talvez reflexão do desenvolvimento pobre do próprio Ash – e partiram de uma reciclagem de ideias apenas sem trazer nada novo nem mais original nem superior ao que já havia sido feito antes (afinal Tepig e Snivy somem perto de Charmander ou Chimchar e Treecko né, mas Oshawott tá num nível um pouco abaixo de Piplup, porque este teve muito mais desenvolvimento em DP).

A única estrela que merece esta posição. Tendo um episódio de estreia fantástico, uma personalidade única e desenvolvimento é Scraggy. O bicho chama a atenção com seu enorme carisma, salva episódios chatos estrelando momentos memoráveis, tem uma relação bacana com os demais personagens e a melhor mistura de feiura e fofura já feita na série. O Pokémon tem tanta presença que conquistou até mesmo Fábio Lucindo, o dublador de Ash, cujo Pokémon favorito antes era o clássico Pikachu (que tá bem marmota em BW também). E aí quando você tem um time pálido e pouco original, onde só um se destaca uma rotação soa como uma excelente ideia! Pena que também falhou.

À exceção de Pidove – que não teve um episódio de estreia e que poderia muito bem não existir que ninguém nem sentiria sua falta – os Pokémon reservas de Ash – como chamarei os não-reservas – tiveram excelentes episódios de estreia! Mesmo eu sendo totalmente contra a rotação porque não esperava que fosse algo que fosse funcionar muito bem no anime, fui conquistado por Sewaddle, Roggenrola e Palpitoad quando foram capturados. Achava que os três eram carismáticos e podiam trazer algo legal e diferente para a série. Porém, acabaram restritos a aparições em competições e batalhas de Ginásio aonde, eventualmente, evoluiriam – três Pokémon de Ash evoluíram em Ginásios, todos eles reservas.

Isso é triste porque, como dito, eles eram promissores e podiam ter rendido momentos legais, em especial Palpitoad! Quando foi capturado, ele era meio que um líder de uma gangue de Tympole no rio aonde foi pego e era bastante ousado, além de ser chefe/amigo de um Stunfisk (o anime nunca deixou claro qual era a relação dos dois) e ambos enfrentaram juntos Ash e Cilan, até serem eventualmente pegos. Depois disso, Palpitoad nunca mais teve seu lado ousado ou de liderança explorado ou interação com Stunfisk, que pertence a Cilan. Sua participação basicamente se restringiu a batalhas. Leavanny, o estágio final de Sewaddle, até teve sim elementos de sua personalidade mais explorados, mas de forma pouco interessante. Pidove, como já citado anteriormente, é a pior ave que já integrou o time de Ash – e olha que as aves do time do Ash nunca foram tão bem aproveitadas quanto os demais membros do time – e a coisa melhorou pouco depois da evolução (ao menos agora ela pode lutar). E, claro, tem o Krookodile, que é um caso especial. Primeiro porque o bicho estreou num dos piores episódios da série (“Um Sandile Louco pra Mudar”) – coincidentemente, o que Oshawott entra para o time de Ash – fazendo algo estúpido e sem sentido para tentar proteger uns Pokémon lá, depois começa a seguir o Ash por uma razão idiota (tinha uma razão?) e a desafiar o Pikachu para batalhas inúteis. Mas aí ele evoluiu, entrou pro time do Ash, evoluiu de novo e parece que desde então tem sido útil, então acho que tá bom né.

Mas o time do Ash não é o único com problemas sérios. Iris começou a série com seu Axew, um Pokémon Dragão fofinho e carismático que ela deveria treinar para ficar mais forte e evoluir. Ok. Só que aí parece que decidiram que ele era muito fofinho e carismático do jeito que era e não precisava mais evoluir, então mais de 110 episódios depois de expressar seu sonho em virar um Haxorus fodão, ele ainda é só um Axew bebezão. Ao menos Axew teve bastante treinamentos durante a 14ª temporada com Scraggy. Engraçado também notar que esses treinamentos eram simples e até meio cômicos, mas surtiram efeito logo porque logo depois Axew parou de treinar tanto e eventualmente aprendeu os ataques mais poderosos de sua espécie, mostrando um desenvolvimento bem rápido – o que é irônico se considerar que inicialmente eles estavam sendo coerentes com seu conjunto de ataques limitado pelo seu nível baixo! Para somar às inconsistências, vale também lembrar do caso Emolga, que chega cheio de pose, traquinagem e desobediência e muda da água pro vinho sem nenhuma explicação! E tem também o exagerado Dragonite que está lá só para nos fazer engolir goela abaixo o quão boa Treinadora de Dragões ela é e nos fazer pensar que ela desenvolveu bastante em sua jornada. Só Excadrill salva ali. A Equipe Rocket também decepciona. Jessie e James sempre tiveram Pokémon cheios de personalidade, mas em BW eles tem criaturas sem graça e personalidade atrás deles, só para lançar ataques de forma mecânica. Uma pena. O time de Cilan tá todo certinho. Pansage, Crustle e Stunfisk cumprem bem seus papéis. Talvez Stunfisk deveria aparecer um pouco mais. Mas é uma pena que esta saga tenha tantos Pokémon prejudicados pelo seu planejamento malfeito, batalhas ruins, Ash em sua pior forma como Treinador e outros fatores.


EQUIPE ROCKET - O MAIOR FRACASSO DE TODOS


Logo que os primeiros vídeos de Best Wishes! começaram a sair uma das maiores novidades seria uma nova abordagem da Equipe Rocket. Desde o fim da saga por Johto, os roteiristas vinham tentando fazer uma renovada com o trio de antagonistas. Em Advanced Generation, eles foram para Hoenn com o propósito de investigar as Equipes Aqua e Magma e montar uma Base Secreta da Equipe Rocket lá. Jessie então desenvolveu seu interesse por Torneios Pokémon que foi crescendo ao longo da série em participações diversas com diferentes identidades em que ela tentava vencer trapaceando sempre até o momento em que ela começou a competir sério em Diamond & Pearl. Novamente, havia também o lance de investigar a equipe da região, os Galácticos.

Em Best Wishes!, é claro, houve uma nova renovação. Jessie e James trocam os uniformes brancos que o diferenciavam dos demais membros da Equipe Rocket pelo preto básico, passam a agir sob ordens diretas e indiretas de Giovanni, esquecem Pikachu por um tempo, deixam toda a parte do alívio cômico de lado, se portam como vilões de verdade! Só que enquanto eles subiram nos ranks da Equipe Rocket, eles caíram nos ranks do anime deixando o posto de coprotagonistas e agindo mais como personagens recorrentes. A mudança a princípio parecia meio repentina, mas funcionava. Era legal ver o anime buscando novas formas de preencher o espaço humorístico da Equipe Rocket com novas ideias – antes a obrigatoriedade de se incluir cenas com o trio em todo santo episódio acabava tirando o foco de muitos episódios para nada – e ao mesmo utilizando Jessie, James e Meowth só quando necessário. Além disso, o fato de que haviam trazido a organização Equipe Rocket como um todo para uma história nova em Unova era ótimo já que os vilões haviam sido pouco trabalhados ou explorados, mesmo quando tiveram sua importância aumentada durante a saga Johto e depois do ótimo trabalho feito com os Galácticos, havia altas expectativas para o desenrolar dessa história.

Só que logo tudo começou a dar errado. Primeiro porque embora a abordagem séria e mais sombria da Equipe Rocket também significou a perda das personalidades tão distintas e bem definidas de Jessie, James e Meowth. Os três passaram a se comportar de forma bem padronizada, o que era entediante. Além do mais, como já comentado acima, os Pokémon que escolheram dar para eles – Woobat e Yamask – não são apenas sem personalidade, mas combinam menos com o lado vilanesco deles do que criaturas que eles já haviam pego antes, como Carnivine, Yanmega ou Seviper. E se por um lado jargões clássicos e antigos foram quebrados – o que também foi algo positivo –, como o fato de eles não explodirem e saírem decolando de novo ao final de cada episódio ou não iniciarem sua aparição sempre com um lema que termina com o Wobbuffet aparecendo no final ou até mesmo os infinitos disfarces e barraquinhas e robôs sem noção, outros lances deles começaram a se repetir... e eram bem menos interessantes, como eles sempre fugirem da cena do crime com um jet pack.

Depois disso, todo o plano que segurava o interesse na série e culminava em dois episódios muito aguardados (Equipe Rocket VS Equipe Plasma – Partes 1 e 2) que estavam para serem exibidos em 17 e 24 de março de 2011, respectivamente. Devido ao grande terremoto que devastou o Japão dias antes da exibição desses episódios, eles foram pulados e adiados por tempo indeterminado. Assim, toda a história que vinha sido preparada ao longo de 20 episódios foi prejudicada. O pior é que depois disso, os vilões voltaram ao seu antigo posto de ladrões de Pokémon aleatórios, mas sem metade da graça e do estilo pré-BW porque eles estavam ainda mantendo sua pose séria – que não lhe servia de nada porque eles ainda fracassavam do mesmo jeito e agora só eram chatos de assistir, nada divertido.

A reação a essa nova Equipe Rocket foi bem negativa. Os vilões se tornaram personagens pouco populares durante esta saga e fãs e até os dubladores dos personagens mostraram sua insatisfação (a dubladora brasileira da Jessie, Isabel de Sá, comentou numa entrevista como não havia gostado muito dessa nova fase de sua personagem e a dubladora japonesa de Meowth, Inuko Inuyama, declarou numa entrevista o quão desinteressante e difícil seu trabalho em Best Wishes! estava sendo). A insatisfação fez com que os produtores japoneses da série procurassem por alternativas para tornar os personagens interessantes de novo. Primeiro foi criado momentos isolados aqui e ali onde o antigo lado desses personagens podia ser explorado; Meowth até mesmo ganhou um arco de quatro episódios focados nele e na sua interação com o grupo de Ash no final da 14ª temporada. 
Depois disso, em 2012, de 1° de julho a 23 de dezembro, o trio ganhou um programa de rádio regular no Japão (“Pokémon Radio Show! O Império Secreto da Equipe Rocket!”) na qual Jessie, James e Meowth tentavam recrutar pessoas para participar do novo plano de seu chefe. Anunciado via uma conta temporária no Twitter, o programa consistia dos dubladores do trio interpretando seus personagens da forma dinâmica e engraçada que havia consagrado seu trabalho na série animada, além de entrevistarem outros dubladores, tocarem músicas clássicas do anime e interagirem com os ouvintes. O programa teve um total de 26 episódios e culminou recentemente no show “O Segredo da Equipe Rocket Ao Vivo”, um evento que aconteceu no último dia 23 de março no Japão com os dubladores interpretando seus personagens ao vivo no palco para um grupo sortudo de fãs. Infelizmente, nada disso (o programa de rádio ou o show ao vivo) jamais será realizado no Brasil.

Dentro do anime, os roteiristas primeiro tentaram atrair a atenção para os vilões de forma positiva novamente com o arco de Meloetta na Season 2 de Best Wishes! que culminou em dois episódios que marcariam o retorno de Giovanni, seu chefe que ficara sumido por um longo período desde o banimento do episódio do confronto entre Plasmas e Rockets, e que ameaçavam também ser os episódios finais dos vilões. A promessa não foi cumprida e pouquíssimo tempo depois, três meses só, Jessie, James e Meowth voltavam, com o lema original, decolando de novo e com uma personalidade que parecia uma mescla do clássico humorístico com o lado série de BW, que não parece muito convincente, e dois novos patéticos Pokémon.

Enfim, eu vou terminar por aqui minha matéria apontando os erros de BW porque nem eu suporto mais falar sobre eles. É decepcionante ver a evolução alcançada com AG e DP ser jogada fora. É engraçado também com o anime fica lutando para tentar parecer mais interessante, como pequenos eventos ganham uma promoção desnecessária (como o alarme falso do fim da Equipe Rocket). Isso sem contar como encerraram a luta de Ash por Insígnias com um mais que desnecessário “Da próxima vez... novo começo” quando na verdade Best Wishes! Season 2 apenas trazia a continuação da Liga Unova e depois ramificando Best Wishes! Season 2 em Episode N e agora Decorola Adventure – que eu não vou julgar em termos de qualidade porque minha falta de interesse em BW como um todo me impediu de me aventurar nesses episódios e o pouco que eu tenho visto não me diz que vale a pena tentar de verdade. E as batalhas? Tanto Clube da Batalha e competição da Don George para um bando de batalhas enfadonhas em que pouco se faz de realmente interessante! Tudo o que resta é esperar outubro chegar para sermos presenteados com uma, se tudo correr bem, nova série realmente decente de Pokémon.
Meus best wishes para Pokémon XY seja muito superior!
Ou será que desejar "best wishes" nesse caso dá azar? :S

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ! - PARTE 2


E aqui está a segunda parte do meu ataque rage sobre Best Wishes! que vcs parecem ter gostado mto de ler. A primeira parte está acessível logo ao lado caso você tenha perdido.
Estou publicando sem imagens porque não consegui postá-las ainda, mas assim que eu conseguir, atualizarei o post. Tbm tem a segunda parte da trajetória sobre o filme do Mewtwo no Brasil que estreou no Brasil há 13 anos!
Aviso: contém spoilers.

POKÉMON BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ!
Parte 2


IRIS & CILAN – MAIS COLEGAS DE VIAGEM QUE AMIGOS

Apesar de se manter fiel ao seu personagem principal e seu Pikachu, os roteiristas e produtores da série não tem muitas restrições quanto a mudar as suas companhias de jornada. Seja por medo de uma implicância dos americanos com a etnia de um deles (como no caso de Brock e Tracey) ou para dar uma nova presença feminina “para os meninos apreciarem”, os roteiristas trocaram protagonistas do anime sempre que julgaram necessário. Em Best Wishes!, eles nos apresentaram a Iris e Cilan. BW é frequentemente comparada à saga Kanto, graças ao ritmo mais acelerado da série, na reapresentação da Equipe Rocket como vilões sérios, na escolha de dar os três iniciais da nova geração para Ash, nos títulos ocidentais dos episódios... e no fato de que os dois parceiros de viagem de Ash são Líderes de Ginásio nos jogos, assim como Misty e Brock na série original.

Mas afinal, os dois personagens funcionam?

Uma coisa bacana nos jogos Pokémon Black Version e Pokémon White Version é a ideia de contraste. Preto e branco. Velho e novo. Inovação e tradição. Felizmente, esse contraste está presente no anime nas figuras de Iris e Cilan – ainda que com estereótipos muito fortes. Ela é a menina negra, rústica, selvagem e supersticiosa, enquanto ele, ao contrário, é o menino branco, urbano, engomadinho e cético. Nesse sentido, ambos funcionam muito bem. É interessante ver como eles se relacionam um com o outro, como seus comportamentos, crenças e modos de vida são diferentes, mas como eles conseguem aprender conviver com essas diferenças, apesar dos eventuais conflitos que elas geram. Para o mundo de diversidades de hoje, é importante que uma série animada traga personagens assim. Mas e com o Ash?

Como dito na seção anterior, o personagem de Ash foi muito enfraquecido dentro de BW. Não só em termos de batalha, mas também em termos de personalidade. Sua falta de carisma e motivação fazem com que ele se torne uma figura pálida perto de Iris e Cilan. Ao mesmo tempo, a amizade entre eles soa muito forçada e as razões de Iris e Cilan viajarem com Ash são as menos convincentes de todo o anime! Lembrando rapidamente: Misty queria que ele lhe comprasse uma bicicleta nova, já estava fugindo de casa mesmo e desenvolveu o interesse amoroso por ele; Brock simpatizou com o Treinador de Pallet e como ser um Criador também envolvia viajar conhecendo diferentes Pokémon, não foi difícil eles se juntarem; Tracey queria conhecer o Professor Carvalho, que o Ash conhecia e eventualmente encontraria; May teve sua bicicleta destruída também, não estava muito animada para seguir numa jornada Pokémon sozinha e não pretendia treinar seu Pokémon, então Ash era o que ela tinha como opção de companhia mais alguma segurança já que ele era mais experiente; Max queria viajar também... e sua irmã já estava lá e ele poderia aprender uma coisa ou outra viajando com eles; e Dawn fez amizade com Pikachu no curto tempo em que cuidou dele e gostou de saber que ele e Brock viajavam juntos, então decidiu se juntar ao grupo. Nenhuma motivação brilhante, mas ao menos havia alguma.

Iris começa implicando com Ash, chamando-o de criança, questionando suas decisões e atitudes... mas por alguma razão, mesmo não gostando dele, continua seguindo-o por cinco episódios até Cilan sugerir que os três deveriam viajar juntos oficialmente. Mas por quê? Curioso que Misty também não tinha uma relação boa com Ash também no começo e, pensando em Iris e Cilan como um paralelo a Misty e Brock, o comportamento de Iris forma um paralelo com Misty. Entretanto, não há nem uma gota da mesma química que havia entre Ash e Misty com Ash e Iris. As implicâncias dela com ele não tem a mesma graça, assim como ele parece estar tão apático nesta temporada que é incapaz de sequer responder às provocações dela, algo que o Ash de Kanto era capaz de fazer e dava certo equilíbrio à relação. Além disso, se é visível o crescimento do sentimento de amizade entre Ash e Misty, com Iris não dá para perceber se mesmo hoje ela e Ash são amigos porque a interação entre eles é muito pobre e mecânica.

A função dela dentro do anime também ainda é uma incógnita. Em seu blog, Takeshi Shudo, já falecido supervisor da série original, revelou que uma das razões de se tirar Misty do anime foi que seu “senso de existência era o mais fraco dentro da série” e que ela havia sido criada só para atrair o público feminino. Mas e a Iris? Apesar de haver episódios excelentes focados no passado dela e em como ela começou sua jornada, seu objetivo de se tornar uma Mestre de Dragões não é trabalhado dentro da série. Ela simplesmente parece ter uma empatia especial com esse tipo de Pokémon, que é retratada aqui e ali, mas é mal desenvolvida. Mais recentemente foi revelado que Drayden, o Líder do Ginásio de Opelucid, quer que ela o substitua futuramente no Ginásio. Se o anime fará algum progresso nesse sentido com ela, ainda não dá pra saber e eu não estou muito otimista em relação a isso pelo que foi mostrado até agora.

O lance é que desde o começo era esperado alguma revelação da relação de Iris com o Ginásio de Opelucid já que ela é a Líder do Ginásio de Opelucid no jogo Pokémon White Version e é a Campeã de Unova em Pokémon Black & White Versions 2. Porém, para alguém cuja história sempre esteve ligada a batalhas de Ginásio, Iris luta muito pouco no anime. Houve sim um esforço de mostrar ela progredindo como Treinadora de alguma forma. Os membros de seu time todos já apresentaram problemas: Axew era muito fraco por falta de batalha, Excadrill era desobediente, Emolga e Dragonite ambos difíceis de controlar. Todos os problemas foram resolvidos de alguma forma (o de Emolga talvez tenha sido o único que não foi trabalhado de forma alguma, simplesmente se resolveu do nada). Mas ainda assim foi muito pouco, especialmente se você considerar que os problemas com os três primeiros foram resolvidos em menos de trinta episódios e depois disso ela fica um loooongo tempo fazendo absolutamente nada!

É triste também ver o que fizeram com Axew. Logo no começo de Best Wishes!, ele havia mostrado interesse em evoluir – sendo uma das raras vezes em que um Pokémon expressa desejo de evoluir no anime perto de tantas outras objeções à evolução –, mas ao invés de trabalharem isso e tornarem-no um Pokémon mais ativo, os roteiristas decidiram mantê-lo como mascote-alívio-cômico-fofo que aparece com ataques fodas ocasionalmente para algumas batalhas importantes. E para compensar, deram o Dragonite para ela ter alguma força expressiva em seu time.
Cilan é também outro personagem complicado. Apesar de ter seus muitos fãs, ele está longe de ser unanimidade. Sua razão para viajar com Ash também é uma incógnita. Depois que perdeu para Ash numa batalha cujo foco era o humor, não necessariamente o talento de Ash, Cilan decide que ele tem um “segredo de batalha” e o acha um Treinador fascinante, então decide segui-lo – e ele acha isso logo na série em que Ash está em seu pior (Ok, não pior que na Liga Índigo, concordo, mas ainda assim... regressões são piores) e após uma batalha medíocre da parte de Ash! Apesar de Cilan fazer amizade com Ash mais fácil do que Iris, os dois ainda estão muito longe de terem aquela interação que Ash tinha com Brock, por exemplo. A profissão de Cilan, um Especialista Pokémon – conforme a versão brasileira – é tão diversificada quanto seu nome ao redor do mundo – Sommelier na versão japonesa, Connoisseur na versão americana, Intenditore na italiana, Conecedor na espanhola. Inicialmente Especialistas são apresentados como pessoas capazes de avaliar o quão próximos Pokémon e Treinador são. O problema é que enquanto nos jogos há uma lógica de existência de pessoas capazes de verificar a compatibilidade entre um Treinador e seu Pokémon (certos Pokémon evoluem por nível de felicidade, então é importante ter alguém te informando sobre o quão feliz com você seu Pokémon está já que é impossível saber só pelos sprites dos bichos), no anime é questionável a necessidade de tal serviço desde que essas relações entre humano e Treinador já são mostradas de forma muito clara, afinal você pode vê-los interagindo e tal, então a profissão acaba se tornando um tanto inútil. Além disso, em Sinnoh, as pessoas podiam usar um Pokétch para fazer isso de forma simples – vai ver os Especialistas se popularizam justamente porque não tem Pokétch em Unova né! O diferencial dos Especialistas, aparentemente, é que eles fazem a descrição de uma forma exageradamente rebuscada cheia de analogias a vinhos (ou comida, como na versão ocidental) e metáforas que dizem, na realidade, muito pouco.

Explicações durante as batalhas sempre foram utilizadas em Pokémon para situar o telespectador não-familiarizado com aquele universo, desde detalhes simples e clássicos como “Ataques Elétricos são super-efetivos em Pokémon Aquáticos” quanto mais recentes como “Estática é a habilidade de Pikachu que pode paralisar o oponente que o toca”. A saga em Sinnoh foi cheia dessas, devido ao uso de muitas técnicas e movimentos dos jogos pouco ou nunca utilizados no universo da série animada até então. Em BW, há relativamente menos falatório nesse sentido, mas eles “compensam” isso com o blábláblá de Especialistas fazendo um longo discurso muito desnecessário sobre como isso “cheira àquilo” ou como aquilo tem “um sabor magnífico”, o que torna a coisa toda uma chatice.

Talvez devido à falta dos roteiristas de saber o que fazer com um Especialista, acabaram dando a Cilan ao longo da série diferentes especialidades (Especialista Detetive, Especialista Pescador, Especialista em Metrô... ). Vale notar também que assim como o fato de ser um bom cozinheiro é um visível paralelo a Brock, ele herdou a habilidade de pesca de Misty, tendo inclusive sua própria isca especial, como ela. Enquanto todas essas habilidades o tornam um personagem mais versátil, elas também acabam reforçando a ideia do quão fraco foi seu planejamento como personagem e como eles foram tentando compensar ao longo da série. E o fato de eles fazerem questão de adicionarem o “Especialista” a todas essas especialidades só reforça o quanto essa é uma ocupação bastante fraca que tem essas ramificações para ganhar algum diferencial.

No fim das contas, Iris e Cilan são personagens legais com problemas em sua construção, mas que não combinam nadinha com o Ash. Pior é que foram inclusos na saga mais tosca de Pokémon, o que torna a situação toda ainda mais triste para ambos. Talvez se tivessem sido inclusos num ambiente melhor preparado, se os roteiristas não estivessem tão preguiçosos e criassem situações genuínas que transformassem a união do trio em amizade e não apenas numa conveniência talvez eles teriam se provado personagens bem melhores.



RIVAIS PRA QUÊ?

Uma coisa fundamental em qualquer jogo de Pokémon são os rivais dos protagonistas. Eles estão sempre lá, desafiando, checando o progresso do protagonista e contribuindo de alguma forma em sua jornada, mesmo que muitas vezes de forma pouco amigável. E sua presença está tão enraizada em Pokémon que muitos sentiram a falta da presença de um rival forte nos jogos Pokémon Ruby, Sapphire & Emerald e ainda mais na sua respectiva fase do anime, Advanced Generation, quando decidiram aposentar Gary desta função e não investiram num novo concorrente para Ash. A falta certamente foi muito bem reparada em Diamond & Pearl com as presenças marcantes de Paul – personagem exclusivo do anime, com leves semelhanças com o rival Silver de Gold, Silver & Crystal, que não havia ganhado uma contraparte na série animada até então e cuja participação voltou a ser relevante nos remakes HeartGold & SoulSilver – e Barry – inspirado no rival homônimo dos jogos fundadores daquela geração.

Quando os jogos Black & White chegaram, eles introduziram dois rivais para o protagonista: Cheren e Bianca. Personagens excelentes, ambos destacaram-se por possuírem um desenvolvimento bem acentuado dentro da história paralelo ao do protagonista. O fato de que personagem principal e rivais cresciam juntos dentro do jogo fez a diferença e gerava várias histórias diferentes. As personalidades bem distintas e contrárias dos dois também servia bem ao propósito de dualidades que era o foco dos tais jogos, como já mencionado anteriormente. Logo que Best Wishes! começa, porém, somos introduzidos a um rival completamente novo: Trip.

Porém, não dá pra dizer que Trip é exatamente completamente novo. Se houve uma cautela dos roteiristas de não darem um rival para Ash em Advanced Generation logo após Gary e depois fazer os rivais de DP personagens bem distintos, Trip é introduzido com forte influência notável de Paul! Seja no cabelo, no olhar de desprezo, na forma de andar, na arrogância na voz quando se direcionando a Ash e até na forma que o inferiorizava, Trip era uma cópia mal-feita de Paul. Mal-feita porque ele surge como um Treinador novato que derrota Ash quando seu Pikachu está “debilitado” e derrota de novo quando ele está saudável de forma superior, mas pouco convincente. O lance é que o guri demonstrava MUITO talento para um novato e muita gente não curtiu – pessoalmente, eu odiei! – ver Ash, o Treinador que acompanhamos por anos, ser derrotado por um guri nojento e metido que acabou de pegar suas bolas, sua lagartixa verde e partiu numa jornada com seu hobby de fotografia.

Além disso, se os roteiristas tiveram cuidado em criar as situações entre Paul e Ash de forma que a rivalidade dos dois impulsionava Ash de alguma forma, lhe dava uma nova motivação e também servia para mostrar as diferentes camadas do próprio Paul, a rivalidade contra Trip só servia para provar o quão incompetente o Ash de BW é, para mostrar o Palletiano perdendo para alguém. E a popularidade de Trip foi baixa, sua rivalidade com Ash tão fracassada que os próprios roteiristas parecem ter visto a falha que tinham em mãos e se apressaram em criar personagens mais agradáveis ao gosto do público e fizeram de tudo para evitar Trip o máximo possível no anime, usando-o só com a obrigação de encerrar logo seu arco de história – se é que se pode considerar o draminha besta com Alder um. O fracasso de Trip como rival foi tanto que os roteiristas não hesitaram ao “inovar” fazendo o rival “principal” da série ser o primeiro eliminado na Liga regional numa batalha 1 VS 1 – a menor batalha vista contra um rival principal até então numa Liga havia sido 3 VS 3! Inovações de Best Wishes!.

E quando os fãs já estavam super-desapontados com Trip, eles tiveram suas preces ouvidas e uma rival dos jogos foi introduzida na série animada: Bianca! Pessoalmente eu sempre quis ver Ash tendo uma rival feminina e Bianca é uma das minhas personagens favoritas de Black & White. E em sua estreia Bianca é bacana e divertida, porém, não era a mesma Bianca dos jogos. Enquanto a personagem dos jogos tem problemas em confiar em seu próprio potencial, é frágil, humilde, mas com uma certa força interior, muitíssimo adorável, gentil e bastante realista-pessimista, a Bianca do anime é super-convencida, desastrada, apressada e engraçada de uma forma que a afasta da sua contraparte dos jogos e a aproxima mais do outro rival de Ash em DP, Barry. A única coisa em comum entre a Bianca do anime e a dos jogos é o fato de ambas serem “avoadas” - não à toa a característica mais enfatizada da personagem nos jogos. Como eu falei, porém, em seu episódio de estreia isso não é bem um problema porque funciona bem esse estilo Bianca mais barryzado porque ela ainda continua adorável e carismática – Barry era um excelente personagem afinal de contas!

O problema vem quando Bianca se mostra uma pessoa extremamente sem noção e, o pior, chata. Isso fica em evidência, por exemplo, quando ela passa quatro episódios seguidos das Batalhas Don perseguindo de forma meio doentia uma Zorua que já tem Treinador e não quer nada com ela só por meros propósitos de humor. Então se nos jogos há um propósito de se mostrar Bianca como uma Treinadora em desenvolvimento, o anime a reduziu a alívio-cômico. A situação fica pior quando eles reciclam a mesma piada de novo e de novo com ela até tornarem tudo insuportável. Aí nem alívio-cômico mais funciona!

Depois os roteiristas e produtores decidiram explorar uma das tramas de Bianca dentro dos jogos. Em Black & White, Bianca parte em jornada contra a vontade do pai. Ele tenta impedi-la de sair de casa e depois vai buscá-la pessoalmente na Cidade de Nimbasa. No anime, nós perdemos o drama de ela saindo de casa, mas ela explica logo quando conhece Ash e cia que seu pai não a deixava sair de casa por isso ela ficou um tempo só treinando seu Pignite e ele era então o único Pokémon que ela tinha até o dia em que ela fugiu. Nos jogos, essa trama tinha por objetivo trabalhar mais da insegurança de Bianca – seu pai não acreditava que ela poderia se virar sozinha no mundo perigoso – e mostrar o quão ela era capaz sim de estar em sua jornada.

Como já foi desnuda de toda insegurança e sensibilidade, essa trama para a Bianca do anime acaba perdendo bastante o impacto que tinha originalmente. Primeiro eles tentam abalar a confiança dela, trazendo seu pai para a história querendo que ela volte para casa porque não poderia ser uma boa Treinadora, depois fazem-na perder para Elesa, meio que confirmando a teoria dele e aí vem Ash vencer o pai de Bianca pra ela para provar sei lá o quê. Que ela pode viajar sozinha porque tem rivais com quem ela encontra de vez em quando que vão lutar por ela para protegê-la? Ou que ele pode vencer o pai dela? Cadê a construção da auto-confiança dela? Cadê ela lutando e defendo seu sonho de seguir numa jornada mesmo com as derrotas? Cadê Elesa enfatizando que as pessoas são diferentes e tem opiniões diferentes sobre o mundo e tais diferenças devem ser respeitadas? Além disso, convenhamos não faz muito sentido a forma como o pai de Bianca parece ter dupla-personalidade no anime. Uma hora um pai como nos jogos, todo preocupado porque o mundo é perigoso e, no instante seguinte, todo Meteoro Vermelho radical. E aí você tem uma personagem interessantíssima arruinada por meros motivo de humor infantil e Bianca se tornou uma personagem ainda mais opaca à medida que a série foi passando oscilando entre esses momentos de super-auto-confiança e baixa auto-confiança.

Bom, com a falha de Trip em conquistar, surgiu Stephan, o primeiro rival totalmente original de BW. E talvez por isso o que tenha dado mais certo até agora – ao menos para mim. Stephan funciona porque ele é um personagem fácil de gostar porque não é metido e nojento como Trip nem chato como a Bianca, tem seu jeito próprio de fazer as coisas com um tom de comédia que não é banalizado demais (exceto talvez pela piada maldita com a pronúncia do seu nome, mas isso já foi corrigido) e ele tem batalhas muito boas! Inclusive fazendo combinações de golpes que eram tão comuns em DP, inclusive realizadas pelo próprio Ash, mas que por alguma razão BW faz ele ignorar completamente. Enfim, não me surpreendi quando me peguei torcendo para o Stephan vencer o Ash na Liga Unova, honestamente. Pena que isso não aconteceu. E por mais que eu considere Stephan bacana, há de se concordar que como personagem ele também não foi o suficiente para dar uma nova motivação a Ash. A relação entre os dois era tão pálida quanto a de Ash com os outros dois rivais mencionados anteriores e aos seus coleguinhas de viagem – talvez porque Ash é sem dúvida o peixe mais fora d'água em BW mesmo.



E aí você tem as rivais dos companheiros de viagem de Ash. May e Dawn tinham seus próprios rivais, mas para os Torneios isso nunca foi muito complicado e era até muito necessário. Mas como se dá rivais para Treinadores que não participam em competições regulares? Você cria razões estúpidas e infantis para estimularem a rivalidade, mas que rendem desculpas para mais alívio-cômico – porque esta saga precisou de MUITOS para suprir a falta da Equipe Rocket, papo que fica para depois – e cria torneiozinhos de batalhas para esses rivais serem reunidos ocasionalmente e mostrarem todos juntos o quão chatos eles são. A rival de Cilan se chama Burgundy, uma menina Especialista também mas que é classe C, enquanto Cilan é classe A, apenas um nível abaixo do máximo, S. Burgundy é basicamente uma má perdedora infantil e rancorosa que fica correndo atrás de Cilan competindo e perdendo contra ele e outros aí. Burgundy faz bosta nenhuma para melhorar como Especialista, mas deve fazer alguém rir com suas piadinha. 
Então temos também Georgia, a rival de Iris! Meninas com problemas com Tipos de Pokémon não é novidade. Misty tinha nojo de tipos Inseto, havia uma Enfermeira Joy que detestava Pokémon Aquáticos em Johto, Iris não gosta de bichos do Gelo e Georgia aparentemente não gosta de Dragões. Só que diferente das demais, ela transforma seu desgosto em motivação e quer derrotar todos os Mestres de Pokémon Dragão, por isso se intitula Exterminadora de Dragões e sai por aí correndo atrás de Iris e seu Dragão (...Excadrill? Ah é, esqueci o Axew!) participando de torneiozinhos de batalhas aqui e ali onde ela quase nunca enfrenta um Dragão, tornando o seu título apenas uma exibição metida de uma recalcada. Pelo menos na Copa Júnior ela conseguiu enfrentar o Dragonite da Iris para compensar todo o stalking. Sim, ela também é uma má perdedora, rancorosa, convencida... parecidíssima com a Burgundy. Ambas também são parecidíssimas com outra rival de DP, Ursula, que atormentava Dawn.

Bom, mais para o final da saga eles introduziram Cameron (é como Kotetsu é chamado nas Américas, não tá sabendo?), o pirralho que não sabe coisas básicas como que você precisa de oito Insígnias para entrar na Liga ou que numa Batalha Total você usa seis Pokémon e que achava que a Liga Unova – por alguma razão que nem Arceus sabe – aconteceria em Johto! Bom, de qualquer forma, como regra básica, ele é melhor Treinador que Ash em Unova. E o derrotará na Liga Unova usando cinco Pokémon contra seis do Palletiano. Tenham um bom dia.

Bom, como não dá pra fazer um tópico sobre isso. Pequenas considerações: além dos rivais mais sem graça de todos os tempos, BW também tem outros personagens infelizmente desinteressantes. A Prof.ª Juniper, por exemplo, é a mais sem graça e sem personalidade de todos os Professores Pokémon do anime – seu pai, porém, Cedric Juniper parece ter mais a oferecer que ela nesse sentido, o que é uma pena. Nos jogos os professores em geral não tem muita personalidade, mas o anime sempre fez um trabalho decente na caracterização deles, como Prof. Elm e sua disputa pessoal com o Prof. Carvalho ou Prof. Rowan e seu jeito sério de dar medo, mas eles não se esforçaram muito com Juniper. Só gosto dela na versão brasileira porque Márcia Regina lhe confere mais carisma do que sua dubladora original (o fato de eu ser fã de Márcia Regina pode influenciar um pouco também =P).

Também queria apontar que a situação de BW é tão ruim que eles conseguem até estragar personagens em estabelecidos na série. Depois de Ash e da Equipe Rocket, eles tiraram Dawn lá de onde ela estava, em Hoenn, para uma participação longa e sem propósito onde ela só figurava lá para chamar atenção da galera de DP – o que funcionou, já que muita gente voltou a ver BW só pela Dawn para se decepcionar de novo com a participação inútil dela. Além de basicamente não chamar a atenção nessas aparições e não contribuir em nada para a série – diferente das aparições de Misty em AG e May em DP – eles ainda bagunçaram a rota de viagem dela todinha, sua carreira como Coordenadora e praticamente fizeram dela uma viajante sem rumo.

Ah, como eu te odeio Best Wishes!...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ! - PARTE 1

POKÉMON BEST WISHES!, EU ODEIO VOCÊ!
Parte 1


UMA BREVE INTRODUÇÃO
Bom, quando decidi fazer este blog a minha ideia original nunca foi criar um espaço para ficar dando opinião sobre isso ou aquilo, mas apenas postar minhas matérias focando em fatos e eventos – embora eu dê sim minha pitada de opinião aqui e ali, mas nunca como parte essencial do que escrevo. Acompanho Pokémon há doze anos, desde que ainda era algo que se podia falar com vários amigos, colecionar Supercartas junto e ver o programa da Eliana só esperando o desenho começar!
Verdade seja dita, apesar de ainda assistir à série, não considero Pokémon um desenho de alta qualidade. Não há uma animação exemplar ali, nem uma história sólida, a trilha sonora não é espetacular, há diversos furos na história da série e dos episódios, incoerências com o que é estabelecido no material fonte, os jogos... e se você acompanha a versão brasileira ainda, tem os malditos erros de dublagem e as edições da 4Kids/PUSA/TPCi. Mas Pokémon sempre teve a capacidade de me divertir e isso foi algo que eu sempre apreciei na série. Tanto que no começo do ano, comecei a reassistir do episódio #01 e me diverti do mesmo jeito – atualmente estou dando uma pausa, mas pretendo retomar logo –, então quando falo que gosto da série não é por pura nostalgia.
Porém, nos últimos anos tem algo que tem me frustrando muito no anime: Pocket Monsters – Best Wishes!. Durante todo o ano só assisti a um episódio da série em japonês (Lembranças Flamejantes! Tepig VS Emboar!!) e os primeiros lançados no Brasil dublados em português, mas venho acompanhado tudo por imagens e vídeos – parei de ver de vez no final da 1ª temporada americana. A razão para minha grande frustração e falta de interesse em BW é o que me trouxe a este post.
AVISO: TERÁ SPOILERS RELACIONADOS A EPISÓDIOS EXIBIDOS RECENTEMENTE NO JAPÃO.

UMA BREVE RETROSPECTIVA
Há grandes complicações em contar uma mesma história por anos. Problemas como desinteresse do público-alvo, queda de audiência, exaustão da equipe envolvida no projeto, repetição de histórias... sempre surgem e, eventualmente, culminam no encerramento da série. Essa é a realidade da maioria das produções para tevê no mundo inteiro, sejam seriados, sitcoms, novelas, desenhos animados...
Porém, Pokémon já está no ar há 15 anos! Isso se torna um feito ainda mais marcante se você levar em conta que diferente do que acontece nos mercados brasileiro e americano, por exemplo, Pokémon tem um episódio inédito por semana o ano inteiro! Nada de intervalos, ou pausas, mas produção contínua há 15 anos – exceto pelo período de quatro meses que a série ficou fora do ar depois do incidente com o episódio do Porygon. Existem outros animes que estão há ainda mais tempo no ar, mas isso não torna a situação menos complicada. Até porque em Pokémon você tem um personagem que tem um objetivo claro (tornar-se um Mestre Pokémon) e você o acompanha esperando que um dia ele alcance esse objetivo.
O anime, porém, nunca foi pensado para durar mais que um ano e meio, então quando decidiram esticar a série, os roteiristas tiveram sua primeira experiência com uma saga longa com a Liga Johto, que não coincidentemente, é a saga com a maior repetição de história, estrutura ou tramas desinteressantes. O anime perdeu audiência e popularidade, levando-os a decidirem repaginá-lo com uma nova série, Pocket Monsters – Advanced Generation. A saga AG trouxe novos protagonistas, os Torneios Pokémon, foi mais fiel à trama dos jogos... e arrebanhou um novo público para o anime, enquanto mantinha alguns da velha guarda.
A ideia deu certo e repetiram com Pocket Monsters – Diamond & Pearl depois que AG completou seu período de quatro anos no ar. A fórmula novamente funcionou. É interessante notar como cada uma das sagas dentro dessas séries apresentou diferenças em relação à sua predecessora na forma de desenvolver seus protagonistas, trabalhar os Pokémon principais, os personagens secundários, os vilões e até mesmo as batalhas... algo que também falarei mais a respeito. Como não poderia deixar de ser, DP acabou eventualmente e abriu espaço para Pocket Monsters – Best Wishes!, novamente trazendo uma reformulação do anime em geral. Abaixo, comentarei alguns elementos dessa repaginação. Só queria lembrar que meus comentários são apenas pessoais e expressam como eu me sinto em relação a BW e porque eu não tenho mais baixado episódios do anime lançados no último ano no Japão – pretendo assisti-los dublado em português apenas.

ASH KETCHUM DA CIDADE DE PALLET
O protagonista de Pokémon é um eterno dilema. Dependendo de para quem você perguntar, vai encontrar diferentes opiniões sobre ele. Tem gente que acha que ele deveria ser aposentado e deixar o anime de vez, dando espaço para um novo protagonista. Alguns acham que sem ele o anime não seria o mesmo. Outros que ele deveria alcançar seu objetivo e o anime ser enfim encerrado definitivamente. Porém, apesar de ser o mesmo Ash, não dá para negar que o personagem não é exatamente o mesmo lá da saga Kanto. Sim, existem elementos imortais como o jeito heroico, impulsivo e ingênuo presente em típicos shonen (gênero de mangá ou anime, cujo público-alvo são crianças e jovens do sexo masculino). Mas o Ash de Johto, por exemplo, é mais determinado a batalhar do que o Ash de Kanto, que aceita Insígnias sem necessariamente vencer seus oponentes em batalhas. Em Hoenn, Ash já é um personagem mais experiente, a quem os novos colegas de viagem, May e Max, tem como certa referência e não precisa mais de Misty e Brock no fundo dizendo o que ele deve ou não fazer. Em Sinnoh, ele está mais sério na hora de batalhar devido à presença de seu rival Paul, pensando mais em vantagens e desvantagens de Tipo, considerando habilidades e etc. 
Havia uma certa progressão no personagem, o que era legal de se acompanhar porque dava a sensação de que, ainda que a passos lentos, Ash estava chegando a algum lugar. Em BW, por outro lado, o protagonista parece ter sofrido uma regressão sofrível. Os primeiros episódios extrapolam a suspensão de descrença ao apresentar um Ash que não lembra que para capturar um Pokémon, deve-se enfraquecer este antes, que lança Pokémon inexperientes e com desvantagem de Tipo contra Líderes de Ginásio (ainda que tenha dado certo... mas isso fica para outro tópico). Ironicamente, logo na primeira cena de Ash em BW vemos os prêmios que ele ganhou durante sua jornada por Sinnoh sobre sua cômoda em seu quarto. E ele não ganhou nada novo desde então...
Paralelamente, Pikachu também parece ter ficado mais fraco. Logo no primeiro episódio, vemos Ash perdendo para Trip, um Treinador iniciante e eventual rival fracassado, com seu Pikachu, sendo que alguns episódios antes, ele havia empatado com o Pokémon Lendário Latios na Liga Sinnoh. O episódio até tentou criar um tipo de justificativa mostrando ele sendo incapaz de usar seus ataques Elétricos contra Snivy porque foram roubados aleatória e temporariamente pelo Lendário Zekrom. Curiosamente, também no final da Liga Sinnoh ele havia mostrado que podia enfrentar um Electivire sem necessariamente usar seus poderes elétricos e apesar de ter perdido também, ele havia ao menos conseguido lutar. E se Pikachu só perdeu porque Zekrom havia perdido seus poderes, então por que, poucos episódios depois, ele perdeu novamente para esse Snivy, agora evoluído em Servine, mesmo estando completamente saudável? Há pouquíssima preocupação em ao menos tentar tornar a situação menos incoerente, como já haviam feito no passado (como no caso de Pikachu ter perdido para o Eevee de Gary na transição da Liga Laranja para a Liga Johto, ele havia derrotado um Dragonite já bastante enfraquecido, e o Eevee pertencia a um Treinador experiente. O mesmo pode ser dito da derrota para o Elekid de Paul, após derrotar o Regice recém-capturado e ainda não tão bem-treinado de Brandon).
Triste também é ver o quão “relaxado” Ash tem estado em Best Wishes!. Suas batalhas não tem estratégias, apenas ataque e evasiva, nada inventivo, nem considerando elementos dos jogos e nada de criatividade. Além disso, ele esboça pouca preocupação diante da derrota. Se em DP, havia um episódio inteiro dedicado a ele se recuperando de uma derrota humilhante numa Batalha Total (6VS6) contra seu rival, o Ash de BW não demonstra a mesma preocupação – no começo da saga, até que sim, mas depois ele fica completamente indiferente à derrota. E os roteiristas continuam criando situações humilhantes para ele. Em três competições de relativa importância envolvendo batalhas, Ash saiu derrotado em todas, nem chegando sequer às finais de uma delas. No último Ginásio em que lutou ele pôde e usou seis Pokémon contra três de sua oponente e ainda assim teve uma vitória apertada! E agora, para fechar com chave de ouro, ele perderá a Conferência de Higaki da Liga Unova para seu rival alívio-cômico Kotetsu, que levou cinco Pokémon para a Batalha Total decisiva porque não fazia ideia de que se usam seis Pokémon numa Batalha Total – um guri que precisa urgentemente de palestras do Prof. Carvalho, porque também não sabia onde a Liga ia acontecer, quantas Insígnias ele precisava...
Chega a ser um descaso para com os telespectadores que tem acompanhado esta saga desde o começo, esperando por este momento ver o próprio protagonista do anime não esboçando nenhuma preocupação em perder dois Pokémon seguidos logo no começo da batalha. Se o próprio personagem não se importa com uma competição que em teoria deveria ser tão importante para ele, por que os fãs deveriam?
 Assim encerro o tópico de hoje.
Continuarei depois do Natal com meus comentários sobre Pocket Monsters - Best Wishes!
Boas festas!